quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Eric Lestrade




ERIC LESTRADE



Clã: Ventrue - 7ª Geração (Ancião)

Natureza: Fanático

Comportamento: Autocrata

Fraqueza: Alimenta-se exclusivamente de não-cristãos.

Atributos:

FísicosForça: 06; Destreza: 07; e Vigor: 07

SociaisCarisma: 05; Manipulação: 06; e Aparência: 05

MentaisPercepção: 06; Inteligência: 06; e Raciocínio: 06

Habilidades:

Talentos: Prontidão: 04; Esportes: 03; Briga: 04; Esquiva: 04; Intimidação: 04; e Liderança: 05

Perícias: Arqueirismo: 04; Etiqueta: 02; Armas Brancas: 05; Cavalgar: 04; e Furtividade: 04

Conhecimentos: Instrução: 03; Investigação: 03; Direito: 03; Lingüística: 03 (*); Política: 04; e Senescalia: 03

DisciplinasDominação: 05 (**); Fortitude: 05 (***); e Presença: 05 (****)

Antecedentes: Influência: 05; Recursos: 04; Lacaios: 05; e Status: 05

Virtudes: Consciência: 06; Autocontrole: 06; e Coragem: 10

Caminho: Cavaleiro 10

Força de Vontade: 10

Pontos de Sangue: 25



(*)

Lingüística: 03Eric Lestrade nasceu na França (portanto Francês é o seu idioma original); e como recebeu treinamento de Cavaleiro, conheceu Latim (graças à Instrução); Inglês; Árabe; e Italiano (idiomas aprendidos durante as Cruzadas).

(**)


Nível 01Observância da Palavra Falada: teste Manipulação + Intimidação (Dificuldade igual à Força de Vontade do alvo). Em caso de sucesso, o Cainita pode impor um comando de uma palavra, que precisa ser obedecido imediatamente. O comando precisa ser claro e não ambíguo (exemplo: corra, tussa, pare, boceje, ria, chore, espirre, arrote, ande...).

Nível 02Murmúrio da Vontade Falsa: teste Manipulação + Liderança (Dificuldade igual à Força de Vontade do alvo). Em caso de sucesso, o Cainita pode criar um pensamento ou revelação falsa na mente da vítima. As ordens ou instruções precisam ser claras, mas não necessariamente precisam ser cumpridas no mesmo instante (exemplos: "largue a sua espada e ajoelhe-se" ou "retorne ao castelo").

Nível 03 – Memória do Dissoluto: teste Raciocínio + Lábia (Dificuldade igual à Força de Vontade do alvo). Em caso de sucesso, o vampiro pode roubar ou recriar as memórias da vítima (alterando detalhes ou apagando eventos, imagens ou sentimentos).

Nível 04 – Isca dos Sussurros Sutis: teste Carisma + Liderança (Dificuldade igual à Força de Vontade do alvo). São necessários diversos testes, até que se atinja um número de Sucessos igual à cinco vezes o nível de Autocontrole da vítima. O indivíduo é dominado tão completamente que nem a presença do vampiro (nem o contato visual) são necessários para manter o controle absoluto de suas vontades.

Nível 05 – Possessão: teste Carisma + Intimidação (Dificuldade 07) e a vítima faz um teste de Força de Vontade (Dificuldade 07). Para cada sucesso obtido pelo atacante (além do total de sucessos do outro indivíduo); o alvo perde um ponto de Força de Vontade. Uma vitória da vítima não faz nada além de prolongar o embate, pois cada Sucesso lhe fornece um dado extra para ser usado nas jogadas do turno seguinte. Porém, uma Falha Crítica sofrida pelo atacante imuniza o alvo permanentemente contra as tentativas de Dominação daquele personagem. Ao chegar a zero, a vítima se transforma num boneco de marionetes.

Observação: tanto a "Isca dos Sussurros Sutis" quanto a "Possessão" têm um alto preço. Quando um vampiro controla sua vítima, o corpo do imortal fica imóvel (como se estivesse em torpor) e portanto indefeso contra ataques.

(***)


Para cada nível de Fortitude possuído por um personagem, ele pode jogar um dado adicional para absorver danos (inclusive decorrentes do fogo e da luz do sol). Ou seja, Eric Lestrade pode jogar 5d10 extras - além dos 7d10 que teria direito por seu Vigor - totalizando 12d10 para absorver danos!

(****)


Nível 01 – Fascínio: teste Carisma + Representação (Dificuldade 07). Em caso de Sucesso, aqueles que estão próximos desejarão tornar-se mais íntimos dele. É uma atração imediata e intensa (mas não tão dominadora a ponto das pessoas afetadas por ela perderem seu senso de sobrevivência). As vítimas podem testar sua Força de Vontade (Dificuldade 07) para sobrepujar o efeito. 

Nível 02 – Olhar Aterrorizanteteste Carisma + Intimidação (Dificuldade igual ao Raciocínio da vítima + 3). Para cada Sucesso, o alvo perde 01 dado em qualquer Parada de Dados no próximo turno. E mais de quatro Sucessos indicam que a vítima entra em "choque" (Frenesi) - incapaz de fazer qualquer coisa que não seja tentar fugir...

Nível 03 – Transe: teste Aparência + Empatia (Dificuldade igual à Força de Vontade do alvo). O número de Sucessos indica quanto tempo a vítima permanece sob o Transe (de uma hora a um ano). Este poder transforma outras pessoas em escravos "voluntários" do Cainita. Os alvos cuidarão de cada desejo e comando do vampiro, aparentemente devido a uma devoção verdadeira e duradoura - mas eles mantém sua criatividade e sua vontade própria.

Nível 04 – Convocação: teste Carisma + Lábia (Dificuldade 07). Com este poder, um Cainita pode chamar para perto de si qualquer pessoa que já tenha encontrado (não importa a distância). A pessoa convocada vem (talvez sem saber porquê) o mais rápido que for capaz. Ele sabe como encontrar o convocador - mas apenas no momento em que dá cada novo passo. Se o vampiro se movimentar depois de um chamado, o convocado vai para a nova localização (ele está vindo para o vampiro, e não seguindo ordens para encontrar o Cainita num local específico).

Nível 05 – Majestade: a vítima precisa fazer um teste de Coragem (a Dificuldade é o Carisma + Intimidação do vampiro) se desejar reagir ao vampiro com rudeza, violência ou rebeldia. Um indivíduo que fracasse no teste chegará a absurdos extremos (como prostrar-se diante do Cainita). Se fracassarem no teste, os Membros podem gastar um ponto de Força de Vontade para vencer tais sentimentos. 



Lestrade nasceu em 13 de Julho de 1.078, na pequena e pacata vila de Frontignan (litoral sul da França). Filho bastardo do poderoso Barão de Montpellier com uma de suas inúmeras amantes (Eric nunca chegou a conhecer sua verdadeira mãe); foi criado por um casal de camponeses idosos que viviam na vinícola do nobre - de quem herdou o sobrenome.

Graças às dificuldades enfrentadas por seus pais adotivos na lida diária (dada suas idades avançadas); Eric passou quase toda a sua primeira infância trabalhando na vinícola - arando a terra, semeando os parreirais, colhendo as uvas, fabricando o vinho e, aos domingos, vendendo o excedente da produção na Feira de Frontignan, em troca de um pouco de comida (para ele e seus pais adotivos). Uma vida dura e espartana, repleta de privações, que ajudaram a forjar sua personalidade e sua força...

Em uma noite fria de inverno, no final do ano de 1.085, o Barão de Montpellier visitou pessoalmente o casebre onde a família Lestrade morava. Eric, na época com apenas sete anos de idade, chamou a atenção do nobre - por sua força física impressionante e sua maturidade ao tratar dos assuntos da propriedade. O Barão notou que o garoto poderia ser bem mais do que um simples camponês; e por isso mesmo decidiu levá-lo para o Castelo de Avignon (um dos principais centros de formação de cavaleiros de toda a Europa).

Eric, obviamente, não queria abandonar a vinícola e a única vida que conhecia...

Mas o Barão de Montpellier, sem esboçar qualquer reação, ordenou que seus homens assassinassem o casal Jean-Pierre e Marie Lestrade; para ensinar ao filho uma dura lição: a vida dos homens comuns, por mais valorosos e honrados que fossem, não vale absolutamente nada...

Ele chorou pela última vez em vida, no exato momento em que as espadas dos capangas do Barão trespassaram o coração de seus "verdadeiros pais"... Ainda com lágrimas nos olhos e abraçado aos cadáveres do casal Lestrade, Eric jurou a si mesmo que jamais voltaria a pisar em Frontignan...

Exceto no dia em que ele perfurasse o coração do Barão de Montpellier nestas mesmas terras!

Resignado, Eric Lestrade seguiu nesta mesma noite para Avignon...

A vida por trás das altas muralhas do Palais des Avignon também era dura - todos os dias os futuros cavaleiros precisavam acordar de madrugada, cuidar de seus cavalos e das plantações, passar horas estudando a Bíblia e os textos sagrados, fazer longos jejuns e realizar exercícios militares intensos...

Entretanto, Eric estava acostumado à dura vida no campo - diferentemente de seus colegas, nascidos e criados em berços-de-ouro. Lestrade executava todas as tarefas com perfeição, despertando a admiração de seus professores e a inveja dos demais alunos (que insistiam em chamá-lo de "bastardo", "indigno" e "cão sarnento", entre outras ofensas ainda mais graves). Mas ele parecia não se importar...

Eric realmente acreditava que os Cavaleiros estavam mais próximos de Deus e que, por isso, precisavam seguir padrões éticos e morais mais rígidos do que os demais. A honra e a nobreza estavam acima de tudo; a fé era um valor inestimável (que deveria ser protegida com sua própria vida, se preciso fosse); e o respeito à hierarquia era essencial. O prazer e os seus próprios desejos eram secundários; e os juramentos deveriam ser mantidos a qualquer custo!

Duas ou três vezes por ano, os portões do Castelo se abriam para os nobres visitarem seus filhos...

Eram nestas oportunidades em que Eric se destacava! O sempre frio e distante escudeiro vencia seus companheiros em todas as provas que disputava (humilhando-os diante de seus pais); o que aumentava o ódio deles (e consequentemente os "trotes" e a violência sofrida nas madrugadas); que por sua vez aumentavam a determinação de Lestrade em superar seus próprios limites...

No princípio de Novembro de 1.095, os Cavaleiros de Avignon foram convocados para acompanhar e reforçar a comitiva do Papa Urbano II, durante o Concílio de Clermont (que se realizaria entre os dias 25 e 30 deste mês, no sul da França). Cada Cavaleiro pôde escolher um Escudeiro para acompanhá-lo - e Eric Lestrade, na época com dezessete anos, foi um dos eleitos. E no dia 18 de Novembro, o jovem francês estava na mesma sacada em que o Sumo-Pontífice discursava para a multidão de fieis que se aglomeravam nas ruas próximas à Catedral de Clermont-Ferrand:

- Meus queridos irmãos... Ungido pela necessidade, eu, Urbano, com a permissão de Deus o bispo chefe e prelado de todo o mundo... vim até vocês... na qualidade de embaixador dos Céus... trazendo uma mensagem divina a todos os servos do Senhor... Vossos irmãos que vivem no Oriente precisam urgentemente de vossas ajudas... e vós deveis esmerar para prestar-lhes a assistência que a eles vem sendo prometida a tanto tempo! Como todos sabeis, os turcos e os árabes os têm atacado covardemente, conquistando vários territórios bizantinos - tanto no oeste como na costa do Mediterrâneo e em Helesponto, que é chamado de "o braço de São Jorge"...

- Eles estão ocupando cada vez mais e mais os territórios cristãos... e já venceram sete batalhas! Estão assassinando e escravizando nossos irmãos, corrompendo nossas igrejas e devastando nosso império! Se vós, impuramente, permitires que isso continue acontecendo, os fiéis de Deus seguirão sendo atacados, cada dia com mais dureza...

- Em vista disso, eu, e não bastante, Deus, os designam como herdeiros de Cristo para anunciar em todas as partes e para convencer as pessoas de todas as gamas, os infantes e cavaleiros, para socorrer prontamente àqueles cristãos e destruir a essa raça vil que ocupa as nossas terras. Digo isto para os presentes, mas também se aplica aos ausentes... Mais ainda: Cristo mesmo os ordena!

- Todos aqueles que morrerem pelo caminho, seja por mar ou por terra, em batalha contra os pagãos, serão absolvidos de todos os seus pecados! Isso lhes é garantido por meio do poder com que Deus me investiu. Oh, terrível desgraça se uma raça tão cruel e baixa, que adora demônios, conquistar a um povo que possui a fé de Deus onipotente e tem sido glorificado em nome de Cristo! Com quantas reprovações nos oprimiria o Senhor, se não ajudarmos aqueles que, assim como nós, professam a fé de Cristo? Façamos com que aqueles que estão promovendo a guerra entre fieis marchem agora a combater contra os infiéis e conclua em vitória uma guerra que deveria ter sido iniciada há muito tempo... Que aqueles que estão pelejando com seus irmãos e parentes, que agora lutem de maneira apropriada contra os bárbaros! Que aqueles que estão servindo de mercenários por pequena quantia, ganhem agora a recompensa eterna! Que aqueles que hoje se malogram em corpo tanto como em alma, se dispunham a lutar por uma honra em dobro!

- Vejam! Neste lado estarão os que lamentam e os pobres... E neste outro, os ricos! Neste lado, os inimigos do Senhor... e em outro, seus amigos! Que aqueles que decidam ir não adiem a viagem, senão que produzam em suas terras e reúnam dinheiro para os gastos... E que, uma vez concluído o inverno e chegada a primavera, se ponham em marcha com Deus como guia!

A multidão, em uníssono, repetia: - ESSA É A VONTADE DE DEUS!!!

Eric Lestrade finalmente havia compreendido qual a sua missão na Terra...

A razão de todas as privações e dificuldades em sua vida...

Deus estava testando-o e preparando-o para lutar em Seu nome nas Cruzadas!

"Essa é a vontade de Deus!"

Ao pregar e prometer a salvação de todos que morressem em combate contra os mouros, o Papa garantiu a criação de um exército gigantesco. Europeus de todas as camadas sociais coseram uma cruz vermelha nas suas roupas (por isso foram chamados de "cruzados"). O entusiasmo foi tão grande que muitos venderam ou hipotecaram todos os seus bens para adquirir armas e o dinheiro necessário para financiar a expedição. E é claro que grande parte dos Cavaleiros de Avignon também se juntaram aos 40.000 homens reunidos em Roma em Agosto de 1.096 - marco "oficial" de início das Cruzadas (quando o Papa Urbano II entregou o estandarte de São Pedro ao comandante Hugo I de Vermandois - irmão do Rei Filipe I da França).

Eric e alguns poucos escudeiros aceitaram partir para as Cruzadas voluntariamente - mas a maioria de seus companheiros, por covardia ou comodismo, preferiu permanecer em Avignon e concluir o treinamento de Cavaleiros (pois faltavam poucos meses até alcançarem o título nobre).

Lestrade, que nunca se importou com títulos ou nobreza, antes de partir orou pelas almas condenadas destes futuros "cavaleiros"...

Ao contrário de outros exércitos cruzados que viajaram por terra, os homens de Hugo I optaram pela travessia do Mar Adriático - partindo da cidade italiana de Bari em meados de Outubro de 1.096. Porém, durante a noite, uma terrível tempestade fez com que raios e ondas gigantescas destruíssem total ou parcialmente muitos destes navios. Cerca de 1.500 soldados morreram afogados e pelo menos doze embarcações naufragaram...

Lestrade estava em um destes navios...

Ele sobreviveu às águas turbulentas e geladas porque improvisou uma jangada, amarrando pedaços de madeira que encontrou flutuando sobre as ondas; e com isso ajudou a salvar a vida de pelo menos cinco companheiros cruzados. Dentre eles Otto Van Der Zandt...

Faltando poucas horas para o amanhecer, os sobreviventes das tropas de Hugo I de Vermandois foram resgatados por navios bizantinos e levados em segurança até o porto de Durrës. De lá, foram escoltados até Constantinopla - onde chegarem em Novembro e se reuniram com os homens comandados por outros quatro líderes das Cruzadas, a saber:

Raymond IV (talvez o mais carismático líder no início da expedição, acompanhado pelos Cavaleiros de Bordeaux e Toulouse);

* Bohemund I (líder dos normandos do sul da península itálica - velhos inimigos do Império Bizantino);

* Godfrey de Boullon (acompanhado de seus irmãos Eustace e Baldwin da Bolonha; acompanhados pelo Rei Robert II de Flandres e seus guerreiros flamengos); e

* Robert II da Normandia (irmão do Rei Guilherme I da Inglaterra, que traziam o contingente do norte da França e da Grã-Bretanha).

Além dos cinco exércitos, os homens que acompanhavam Pierre d' Amiens (conhecido como Petrus Eremita - líder da mal-fadada "Cruzada Popular" ou "Cruzada dos Mendigos") também se juntaram ao gigantesco acampamento militar formado nos arredores da capital do Império Bizantino...


O Imperador Aleixo I Comneno estava apreensivo com esta multidão de soldados famintos (frequentemente hostis, provocando incidentes com seu povo); muitos deles liderados por seu antigo desafeto Bohemund de Taranto. Para evitar uma guerra, propôs um acordo com os líderes cruzados: os bizantinos forneceriam homens e suprimentos (armas e alimentos, principalmente); e em troca, os cristãos entregariam o controle das terras turcas que forem conquistadas durante a jornada.

Durante as tensas negociações conduzidas por Raymond de Toulouse e Aleixo I Comneno (que se arrastaram por meses); a amizade entre Eric LestradeOtto Van Der Zandt se fortaleceu. O holandês ficou surpreso com a coragem, a lealdade aos ideais da cavalaria e as proezas físicas do jovem humano - capaz de suportar as mais duras provações. E o francês admirava o profundo conhecimento do comandante de seu destacamento noturno, cuja paixão pela cavalaria era semelhante a sua! Ambos passavam as madrugadas treinando golpes, táticas e contando histórias sobre as glórias de Roma...

Em meados de Abril de 1.097, os Cruzados levantaram acampamento e voltaram a marchar...

O primeiro "alvo", segundo o acordo com o Imperador Bizantino, seria a cidade-fortaleza de Niceia (recentemente conquistada pelos turcos seljúcidas e agora capital do Sultanato de Rum). Bohemund de Taranto assumiu o comando das tropas - que revezavam-se dia e noite num avanço ininterrupto e constante pelo território inimigo. E no final do mês de Maio, os Cruzados acamparam às margens do lago Íznik, iniciando o primeiro cerco às muralhas de Niceia...

O Sultão Kilij Arslan I (líder dos Turcos Seljúcidas), percebendo a aproximação do imenso exército ocidental, conseguiu escapar a tempo - levando boa parte das riquezas da cidade. Antes de partir, porém, aconselhou seus soldados a renderem-se (caso a situação se mostrasse insustentável). Ciente deste fato, o Imperador Aleixo I Comneno (temendo que os cruzados não cumprissem o seu juramento de entregar a cidade conquistada; ou mesmo saqueassem e destruíssem Niceia) conseguiu negociar em segredo a rendição da cidade ao Império Bizantino. Assim, na manhã de 19 de Junho de 1.097, os ocidentais foram surpreendidos pelo estandarte bizantino nas muralhas da cidade sitiada...

Sentindo-se traídos pelos aliados, a partir deste momento os Cruzados começaram a sentir-se sozinhos em sua expedição (sem quaisquer obrigações para com os bizantinos). E para simplificar o problema dos abastecimentos, o exército cristão dividiu-se em dois grupos: na vanguarda seguiram os homens de Bohemund de Taranto, Robert da Normandia e Godfrey de Boullon; na retaguarda foram os comandados por Raymond de Toulouse, Petrus Eremita e Hugo de Vermandois...

Em 01 de Julho de 1.097, o grupo de Bohemund foi emboscado nas proximidades de Dorileia. Mesmo em menor número, os homens do Sultão Kilij Arslan I conheciam melhor o terreno e estavam estrategicamente posicionados. Com isso, os primeiros Cruzados caíram feito moscas...

A Batalha de Dorileia, que começou ao entardecer, seguiu noite adentro...

E o grupo que estava na retaguarda se juntou aos primeiros Cruzados; num reforço decisivo no difícil combate contra os árabes...

Eric Lestrade entrou num campo de batalhas "real" pela primeira vez...

E mostrou muita competência ao manejar sua espada!

Enquanto os cadáveres de Cavaleiros experientes formavam verdadeiras montanhas; o Escudeiro de 19 anos incompletos não se cansava de banhar a lâmina de sua espada com o sangue dos infiéis. Seu estilo de luta, ensinado por Otto Van Der Zandt (baseado nas táticas usadas pelas Legiões Romanas), mostrou-se terrivelmente efetivo em combate! E o holandês já não conseguia conter o orgulho de seu melhor discípulo...

Lestrade, por sua vez, não conseguia esconder o assombro ao testemunhar seu mestre em ação! Seus movimentos fluídos e letais, bem como sua incrível capacidade de antever os movimentos e os golpes de seus oponentes, pareciam dons sobrenaturais! Eric nem desconfiava que Otto era, na verdade, um vampiro poderoso e um guerreiro com muitos séculos de experiência...

Já passava das duas da manhã e a Batalha de Dorileia estava praticamente vencida pelos Cruzados...

Quando o jovem Eric cometeu um erro grave: cansado após horas de intenso combate, decidiu sentar-se no chão por alguns minutos para recuperar suas energias.

Ele simplesmente não percebeu que um dos árabes caídos ao seu lado ainda estava vivo...

A cimitarra do turco moribundo dilacerou suas costas e por muito pouco não atingiu órgãos vitais (felizmente protegidos pelos ossos da caixa torácica)! Mesmo assim, Lestrade caiu no chão e o corte profundo causou-lhe a perda de muito sangue...

Sem falar na terrível infecção que se seguiu...

Eric sofreu por muitos dias e noites com os delírios causados pela febre alta, enquanto o pus fétido escorria sem parar de suas costas gangrenadas, causando-lhe uma dor insuportável. A agonia do jovem humano levou Otto a considerar Abraçá-lo (quebrando seu próprio juramento de nunca transmitir a maldição de Caim) ou até mesmo sacrificá-lo (encerrando definitivamente seu longo sofrimento).

O holandês procurou a ajuda do clérigo francês Petrus Bartholomaei (considerado por muitos como "louco", "herege" ou até mesmo "feiticeiro"); que imediatamente começou a preparar um composto de ervas selvagens - aplicando a "pasta" sobre o ferimento do jovem soldado. Em seguida, aqueceu a própria espada de Lestrade nas labaredas de uma fogueira e, quando a lâmina já estava vermelha, cauterizou a ferida aberta a sangue frio...

Imagine dor...

Horrível...

Indescritível...

Do tipo que parece ser capaz de encobrir toda a luz e todo o bem do Universo...

Imagine o sangue fervendo nas veias...

Imagine ossos dando a impressão de serem vidro quebrado...

Imagine-se sendo devorado vivo por dez mil demônios famintos, com garras e dentes afiados...

Imagine tudo isso...

E tente compreender que isto não representa nem uma pequena fração da dor que o jovem Eric sentiu neste instante! Seus gritos ecoavam a quilômetros de distância e acordaram todos os Cruzados que descansavam no imenso acampamento militar...

Lestrade gemeu por horas...

Mas no dia seguinte, a febre havia passado. A ferida aberta estava cicatrizada. E embora fraco demais para andar ou se alimentar sozinho, já era capaz de falar (recobrando a lucidez). Otto Van Der Zandt agradeceu ao "milagre" feito por Petrus Bartholomaei...

E desde então, os três homens passaram a seguir a jornada rumo à Antióquia sempre juntos!

Em pleno verão, a marcha era difícil. Os Cruzados dispunham de pouca comida e água, e muitos homens e cavalos morreram de fome e sede. Canibalismo, estupros e pilhagens à pequenas tribos nômades do deserto tornaram-se práticas comuns; embora os soldados do Sultão Kilij Arslan dificilmente fizessem grandes ataques (como o de Dorileia). Isto facilitou e acelerou a marcha dos soldados ocidentais pela Ásia Menor. As únicas batalhas dignas de nota foram na conquista de Sozópolis, Konya e Kayseri - todas vencidas pelos Cruzados.

Durante a jornada, os Cruzados ouviram rumores de que a última grande Cidade-Fortaleza no caminho de Jerusalém (Antióquia) havia sido abandonada pelos Turcos Seljúcidas. Mas ao avistarem suas imensas muralhas, no dia 20 de Outubro de 1.097, ficou claro que a cidade ainda estava ocupada e disposta a oferecer grande resistência. Além disso, Antióquia era tão grande que os Cruzados não tinham homens suficientes para cercá-la totalmente.

Bohemund de Taranto acampou no portão nordeste da cidade (chamado de Porta de São Paulo); Raymond de Toulouse assentou mais a oeste (diante da Porta do Inferno); Godfrey de Boullon; posicionou-se mais ao sul (próximo à Porta de São Jorge); mas nas ameias sul e leste de Antióquia localizava-se uma área montanhosa chamada Monte Sílpio - com inúmeras passagens secretas e a imensa Porta de Ferro (que não pôde ser sitiada completamente). Estas passagens foram usadas pelos governantes locais para abastecer sua população e solicitar ajuda externa...

Foram oito longos meses de cerco...

Em Dezembro de 1.097, o monge Petrus Bartholomaei confidenciou aos amigos EricOtto que estava tendo visões e sonhos estranhos, onde o próprio Santo André lhe mostrava que a Lança do Destino (arma citada no Evangelho de João - 19:31-36; utilizada por um legionário romano para perfurar o flanco de Jesus Cristo crucificado, certificando-se de sua morte) estaria escondida sob o altar da Igreja de São Pedro, no coração da cidade de Antióquia...

Segundo Petrus, o Santo André exigia que o monge revelasse imediatamente esta informação aos líderes Cruzados; e quando a relíquia fosse encontrada, que fosse entregue à Raymond de Toulouse; como um sinal de que Deus estava apoiando a campanha militar em curso...

Porém, Otto sabia que as autoridades não ouviriam os devaneios de um clérigo com má-fama; e na pior das hipóteses, ordenariam sua morte - para que os boatos de bruxaria não se espalhassem pelo acampamento. Por isso, pediu ao amigo que se mantivesse calado...

À medida que as tentativas frustradas de retomada da cidade se arrastavam pelo inverno, a fome e a peste ceifavam vidas neste território árido e inóspito. Em determinado momento, restaram apenas 700 Cruzados vivos. E os ocidentais ainda tiveram que enfrentar dois exércitos mouros (um vindo de Damasco e outro de Alepo)...


Em Fevereiro de 1.098Petrus Bartholomaei começou a perder a visão (provavelmente devido à fome e a desidratação profunda que afligiam todos os Cruzados); mas o clérigo acreditava que isto se tratava de uma punição de Santo André, por ter descumprido sua ordem...

No final do mês de Maio de 1.098, um imenso exército muçulmano de Mossul, sob o comando de Kerbogha, marchou em direção à Antióquia. Estas tropas contavam com guerreiros vindos de Alepo, Damasco, Pérsia e até da Mesopotâmia; e certamente teriam exterminado os sobreviventes das Cruzadas - muito debilitados pela longa campanha. Parecia ser o fim das esperanças...

Mas o brilhante estrategista Bohemund de Taranto estabeleceu contato com um guarda armênio chamado Firouz (originalmente cristão, mas forçado a se converter ao islamismo); que aceitou o suborno oferecido pelos Cruzados para "acidentalmente" abrir um dos portões...

Em 02 de Junho de 1.098, o traidor Firouz instruiu Bohemund a simular a marcha dos soldados ao encontro das tropas e Kerbogha; mas ao anoitecer, voltar para Antióquia e atacar um dos portões (cuja vigilância seria mínima). A ação foi um sucesso imenso!

E resultou num massacre de proporções épicas...

Apoiados pelos cristãos orientais que viviam oprimidos na cidade, uma rebelião interna mobilizou a milícia da Antióquia - que obviamente precisou abandonar os postos de controle ao redor dos portões; possibilitando aos Cruzados uma chance preciosa de ataque direto...

No entanto, por não conseguirem diferenciar as etnias (ou por não se importarem com a morte dos cristãos ortodoxos); uma vez dentro das muralhas, os Cruzados deixaram um rastro de destruição e cadáveres por todos os lados...

Incêndios generalizados, roubos, estupros, assassinatos...

O caos tomou conta das ruas...

Yaghi-Siyan (o regente da cidade), quase conseguiu fugir... mas foi capturado por soldados cristãos que ficaram na retaguarda. Eles o decapitaram e levaram sua cabeça ao Bohemund...

No final do dia seguinte, os Cruzados controlavam quase toda a cidade (com a exceção de uma cidadela - que permanecia sob o controle de Shams Ad-Daulah, filho de Yaghi-Siyan). Mas após tantos meses de combate e cerco, Antióquia tinha poucas provisões... e a iminente chegada do exército de Kerbogha inviabilizava o reabastecimento!

Os mouros chegaram dois dias depois... e após uma primeira tentativa frustrada de invasão (no dia 07); resolveram adotar a mesma estratégia do cerco!

No dia 10, os líderes das Cruzadas se reuniram pela manhã para discutir soluções para a crise (pois apesar de protegidos pelas muralhas, eles estavam encurralados e, na melhor das hipóteses, morreriam de fome). Petrus Bartholomaei interrompeu a reunião e revelou seu sonho premonitório...

Como não haviam outras alternativas, os devaneios do louco foram considerados um bom presságio!

Mas a Igreja de São Pedro pertencia à cidadela - último ponto de resistência árabe em Antióquia...

Foram quatro dias e noites de combate... até que finalmente Eric Lestrade apareceu no telhado da mansão Siyan, trazendo sua espada ensanguentada na mão direita e a cabeça decepada de Shams Ad-Daulah na mão esquerda! Era o ponto final do controle árabe sobre a Cidade-Fortaleza...

No dia 15, os Cruzados começaram a escavação do assoalho da Igreja de São Pedro, mas não encontraram nada. Muitos chegaram a duvidar da palavra de Petrus...

Mas o clérigo desceu sozinho ao fosso da escavação, estendeu sua mão e encontrou uma ponta de lança, com inscrições romanas, bem enferrujada...

Raymond de Toulouse acreditou na veracidade da relíquia e que o milagre era, de fato, um sinal de Deus - indicando que iriam sobreviver para concluir a missão de libertar Jerusalém! Outros líderes (como Bohemund de Taranto) duvidavam do conveniente "milagre"; mas era inegável que o fato aumentou a confiança e a moral das tropas sobreviventes...

Alçado ao posto de "Conselheiro-Mor", Petrus Bartholomaei revelou uma segunda premonição: o exército cruzado deveria jejuar por cinco dias (apesar de já estarem passando fome); e depois atacar com todas as forças os inimigos acampados do lado de fora das muralhas...

Na manhã do dia 28 de Junho de 1.098, os Cruzados (divididos em seis batalhões) abriram os portões da cidade - com Bohemund de Taranto empunhando a Lança do Destino à frente do exército!

Apesar de enorme, o exército de Kerbogha era composto por várias facções muçulmanas (muitas delas rivais entre si); e que dificilmente conseguia agir como uma força coesa e única...

Por outro lado, os ocidentais estavam inspirados pelas visões de exércitos de santos e anjos cavalgando e lutando ao seu lado (liderados por São Jorge, São Demétrio e São Maurício). Com isso, a batalha foi intensa mas relativamente rápida... Em poucas horas, os primeiros comandantes turcos desertaram e fugiram - deixando seus comandados em pânico e desorientados. Antes do meio-dia, todo o exército muçulmano bateu em retirada. A vitória cristã consolidou a conquista da cidade; e Bohemund auto-proclamou-se primeiro regente do Principado da Antióquia!

Durante o resto de 1.098 e início de 1.099, os Cruzados auxiliaram na consolidação do território deste novo Principado. Mas com o passar do tempo, os nobres menores e os soldados começaram a ficar impacientes com a demora dos líderes em seguir para Jerusalém. Muitos inclusive ameaçavam seguir sozinhos para a Terra Santa. E a reputação de Petrus Bartholomaei também foi manchada nos meses seguintes (graças às suas regras esdrúxulas e previsões que nunca se concretizavam).

Petrus afirmava que Jesus Cristo havia lhe confirmado a autenticidade da Lança; que Santo André instruiu os Cruzados a marcharem descalços para Jerusalém (ordem obviamente descumprida pela maioria, dado o calor do deserto); e que São Jorge advertira-lhe sobre a ira divina que cairia sobre os soldados, graças aos vários pecados e vícios praticados ao longo da jornada...

Em 08 de Abril de 1.099, Petrus aceitou passar por um Ordálio de Fogo para provar que dizia a verdade...

Os peregrinos construíram um longo túnel subterrâneo, espalharam óleo e atearam fogo; esperando que o monge fosse protegido por um anjo de Deus (caso estivesse falando a verdade). Petrus Bartholomaei não apenas aceitou o teste como sobreviveu à travessia - e embora estivesse com as vestes e o corpo totalmente queimados; garantia que não estava sentindo dor; porque Jesus Cristo lhe surgira no fogo e lhe protegera...

De qualquer forma, o clérigo morreu doze dias depois...

A Cruzada partiu de Antióquia em 13 de Maio de 1.099; e, desta vez, os ocidentais encontraram pouca resistência (pois os governantes muçulmanos locais preferiram "comprar a paz", auxiliando os soldados cristãos com provisões e mantimentos ao invés de lutarem. Outro fator que auxiliou a passagem tranquila é que estes povos pertenciam ao ramo sunita do islã (e preferiam o controle estrangeiro ao governo xiita dos fatímidas).




http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Cruzada#Cruzada_dos_Nobres
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Bartolomeu
http://en.wikipedia.org/wiki/First_Crusade
http://www.profcardy.com/calculadoras/aplicativos.php?calc=5


Muitos líderes templários começaram a praticar a feitiçaria e alquimia, tolerando todos os tipos de heresias e experimentos satânicos. Além disso, eles conspiram o tempo todo para encontrar, obter e roubar uma coleção de relíquias para auxiliá-los em sua luta. Fazem qualquer coisa para encontrar tesouros sagrados (o Santo Graal em particular). Eles também estabeleceram ligações para trocar livros e favores com os Assamitas da Síria...

E isto foi a gota d'água para Eric Lestrade!

Ele decidiu fundar a Ordem Sagrada Fleur d' Liz, pois jamais compactuaria com acordos com as serpentes do deserto...

Data de Nascimento: 13 de Agosto de 1.070.
Data do Discurso: 27 de Novembro de 1.095 (25 anos).

Clermont-Ferrand, França...

- Povo dos Francos! Povo de além dos Alpes! Povo eleito e amado por Deus! Povo distinto entre todas as nações, pela observância da fé católica e pela honra que presta à Santa Igreja! Queremos que vós saibais do lúgubre motivo que nos conduziu até vossas terras... Queremos informá-los da necessidade e do motivo que nos impeliu até aqui... Desde Jerusalém e desde Constantinopla chegou até nós, mais de uma vez, uma dolorosa notícia...

- Os turcos... Povo muito diverso do nosso... Povo afastado de Deus... Estirpe de coração inconstante e cujo espírito não foi fiel ao Senhor... Invadiu as terras daqueles cristãos, as devastou com o ferro, a rapina e o fogo! Levou parte dos habitantes da Terra Santa como prisioneiros até seu país; outra parte matou com infames estragos... E até as igrejas... As casas de Deus eles macularam! Algumas foram destruídas, outras foram convertidas em templos para seus cultos pagãos! Derrubaram os altares após profaná-los imundamente! Circuncidaram os cristãos e espalharam o sangue da circuncisão sobre os altares ou jogaram-no nas pias batismais! E para aqueles cristãos que insurgiram contra os atos de barbárie, restaram mortes vergonhosas... Perfuraram-lhes os umbigos, arrancaram-lhes os genitais, amarraram-nos aos troncos e chicotearam-lhes até que as vísceras aparecessem! Outros se serviram deles como alvos de flechas! E alguns foram atacados com espadas, que tentavam decapitá-los de um só golpe!

- E o que dizer da violência nefanda praticada com as mulheres... sobre a qual é pior falar do que calar?

- O reino dos gregos já foi atingido tão gravemente por eles e tão perturbado na sua vida diária que não pode ser atravessado sequer numa viagem de dois meses... A quem, pois, cabe o ônus de vingá-lo e de reconquistá-lo, se não à vós a quem Deus, mais do que aos outros povos, concedeu a insigne glória das armas, grandeza de alma, agilidade de corpo, e principalmente força para humilhar a fundo aqueles que a vós resistem?

- Que a gesta de vossos antepassados vos mova... Que excite vossas almas a atos dignos dela! Que a probidade e a grandeza de vosso Rei Carlos Magno e de Luis, seu filho; e de outros soberanos vossos... Destruam o reino dos pagãos e até eles estendam o confines da Igreja! Sobretudo que vos incite o Santo Sepulcro do Senhor, nosso Salvador, que está nas mãos de gentes imundas... E os lugares santos, que agora estão por eles vergonhosamente possuído e irreverentemente profanados com sua imundícia... retornem ao controle cristão!

- Ó soldados fortíssimos! Filhos de pais invictos! Nãos vos mostrei decadentes! Mas lembrai-vos da coragem de vossos predecessores... e se vos segura o doce afeto dos filhos, dos pais e das consortes; atentai para o que diz o Senhor do Evangelho: “quem ama o pai ou a mãe mais que a Mim, não é digno de Mim... Todo aquele que deixar seu pai ou sua mãe, ou a mulher ou os filhos ou as terras por amor de meu nome, receberá o cêntuplo nesta terra e terá a vida eterna!”

- Não vos detenha o pensamento de alguma propriedade, nenhuma preocupação pelas coisas domésticas, pois esta terra que vós habitais, circundada por todo lado pelo mar ou pelas montanhas, ficou estreita para vossa multidão... Não é exuberante de riqueza... E apenas fornece do que viver a quem cultiva... Por isso vós vos ofendeis e vos hostilizais reciprocamente... Vós vos fazeis guerra e com freqüência vos matais entre vós mesmos...

- Cessem, pois, os ódios intestinos! Apaguem-se os contenciosos! Aplaquem-se as guerras e sossegue toda discórdia e inimizade! Empreendei o caminho do Santo Sepulcro! Arrancai aquela terra àquele povo celerado e submetei-la a vós! Ela foi dada por Deus em propriedade aos filhos de Israel... Como diz a Escritura: nela correm rios de leite e mel! Jerusalém é o centro do mundo! Terra feraz por cima de qualquer outra! Quase como um paraíso de delícias! O Redentor do gênero humano a tornou ilustre com sua vinda e a honrou com sua passagem... Ele a consagrou com sua Paixão, a redimiu com sua morte, e a tornou insigne com sua sepultura...

- Pois é esta cidade real, posta no centro do mundo, que agora é tida em sujeição pelos próprios inimigos e pelos infiéis! Feita serva do rito pagão! Ela eleva sua lamentação e anela ser liberada... Não cessa de implorar que vós andeis no seu socorro! De vós, mais do que qualquer outro povo, ela exige ajuda! Pois vos tem sido concedida por Deus, por sobre todas as estirpes, a glória das armas! Empreendei, pois, este caminho... em remissão de vossos pecados... certos da imarcescível glória do reino dos Céus!

- Ó irmãos amadíssimos... Hoje em nós manifestou-se o que o Senhor diz no Evangelho: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome... Eu estarei no meio deles!”. Se o Senhor Deus não tivesse inspirado vossos pensamentos, vossa voz não teria sido unânime... E ainda que tenha ressoado com timbres diversos, foi única! Entretanto, a sua origem foi Deus que a suscitou... Foi Deus que a inspirou em vossos corações! Seja, pois, esta vossa voz! O vosso grito de guerra! Posto que ele vem de Deus! Quando fores ao ataque dos belicosos inimigos, seja este grito unânime de todos os soldados de Deus: “Deus o quer! Deus o quer!”

- Nós não convidamos a empreender este caminho aos velhos ou àqueles que não são aptos para portar armas... Nem às mulheres... Espero que as mulheres não partam sem seus maridos ou seus irmãos... Todos estes são mais um impedimento do que uma ajuda... Mais um peso do que uma vantagem...

- Que os ricos sustentem os pobres, levando-os a seu custo homens prestes para combater! E aos sacerdotes e clérigos de qualquer ordem, que não seja lícito partir sem licença de seu bispo (porque esta viagem lhes seria inútil sem esse assentimento)... Nem sequer aos leigos seja permitido partir sem a benção de seu sacerdote!

- Todo aquele que queira cumprir esta santa peregrinação e que faça promessa a Deus e a Ele se tenha consagrado como vítima viva, santa e aceitável, leve sobre seu peito o sinal da Cruz do Senhor! Aquele que, após ter cumprido seu voto, queira retornar... dê meia-volta! Cumprirão assim o preceito que o Senhor dá no Evangelho: “Quem não carrega sua cruz e não vem detrás de Mim... não é digno de Mim”...

- E então, povo amado? Estas preparado para a guerra?


- DEUS O QUER!!! DEUS O QUER!!! DEUS O QUER!!! (em côro uníssono)



Eric Lestrade nasceu em 13 de Julho de 1.078, na pequena e pacata Vila de Frontignan (litoral sul de França). Filho bastado do poderoso Barão de Montpellier com uma de suas inúmeras amantes (Eric nunca chegou a conhecer sua verdadeira mãe); foi criado por um casal de camponeses que viviam e trabalhavam na vinícola do nobre.

Aos 07 anos de idade, o Barão de Montpellier levou-o ao Castelo de Avignon (um dos principais centros de formação de Cavaleiros de toda a Europa). E em 1.095, ainda como Escudeiro; integrou a comitiva do Papa Urbano II durante o Concílio de Clermont - estando na mesma sacada da Catedral de Clermont-Ferrand em que o Sumo-Pontífice discursou à multidão de fieis; conclamando-os para as Primeiras Cruzadas!

Lestrade e alguns poucos Escudeiros solicitaram autorização para juntar-se às Cruzadas voluntariamente (abandonando o treinamento de Cavaleiro). Em Junho de 1.096, estes garotos uniram-se às tropas de Hugo I de Vermandois (irmão do Rei Filipe I da França); e marcharam pela Itália levando o estandarte papal (reforçando o exército cristão a cada vilarejo)!

Mas ao contrário dos outros Exércitos Cruzados que viajaram por terra; Hugo I decidiu cruzar o Mar Adriático; partindo de Bari em direção ao Território Bizantino. Formou-se uma esquadra impressionante; composta por centenas de barcos e navios; mas uma terrível tempestade noturna, próxima ao Porto de Dyrrhachium (já no final da travessia); fez com que muitas embarcações sucumbissem às ondas gigantes...

Cerca de 1.500 soldados morreram afogados naquela fatídica noite...

Lestrade estava em um desses navios que afundaram; mas em meio ao caos; conseguiu improvisar uma pequena jangada (amarrando pedaços de madeira que encontrou flutuando); e com isso conseguiu salvar a vida de pelo menos cinco companheiros. Dentre eles Otto Van Der Zandt...

Faltando poucas horas para o amanhecer, os sobreviventes das tropas de Hugo I foram resgatados por navios bizantinos e levados em segurança até o porto de Durrës. De lá, foram escoltados até Constantinopla. Foram os primeiros a chegar na capital cristã oriental (por volta do mês de Novembro de 1.096).

Só em 1.097 as tropas reunidas partiram de Constantinopla e ingressaram no Oriente Médio...

Foram dois anos de intensas lutas contra os árabes; até que finalmente os Cruzados conquistaram Jerusalém! Só que durante a retomada da Terra Santa (marcada pela carnificina e pelo horror); Eric acabou sendo "Abraçado" por um Cainita poderoso chamado Petrus Bartholomaei - salvando-o de um ferimento mortal recebido no final da Batalha de Dorileia...

Na madrugada de 02 de Julho de 1.097Eric Lestrade transformou-se num Ventrue da 7ª Geração!

Otto Van Der Zandt (Brujah da 8ª Geração) ensinou-lhe tudo que sabia sobre a "maldição"; além de ajudá-lo nestas primeiras noites. Apesar da enorme diferença de idade; o Cavaleiro Holandês tratou o jovem Escudeiro Francês como se fosse seu filho. E ao longo da campanha militar, o Aprendiz superou o Mestre em quase todos os aspectos!

Após a Conquista de JerusalémLestrade decidiu voltar para a França e se vingar do Barão de Montpellier (responsável pela morte de seus pais adotivos em Frontignan). Mas ao chegar em sua terra natal; descobriu que seu genitor havia falecido dois anos antes. Toda a sua fortuna pertencia agora à jovem Baronesa Christine LaCough (com quem havia se casado seis meses antes de sua morte).

Temendo que o Cruzado pudesse reivindicar sua herança legítima; a bela Baronesa tentou seduzi-lo de todas as formas...

Foram meses de flerte; até que ele finalmente cedeu aos seus encantos!

Ambos viveram uma tórrida e breve história de amor... até que Lestrade descobriu a relação incestuosa que Christine mantinha com seu irmão Andre LaCough!

Horrorizado com tamanha desilusão; Eric Lestrade partiu em uma longa jornada solitária; percorrendo a Europa como um Cavaleiro Mercenário (como tantos ex-Cruzados fizeram).

Foi neste período em que conheceu Amanda Chamberlain...

Em 1.111, o Reino de Powys (encravado na fronteira entre a Inglaterra e o País de Gales) estava em guerra! Os cinco herdeiros de Bleddyn ap Cynfyn (MareduddCadwganMadockeRyryd e Iorwerth) reivindicavam a posse do trono...

Madog (filho de Ryryd) foi convencido por sua esposa Amanda a atacar seus tios (Cadwgan e Iorwerth); para que Maredudd (o primogênito e herdeiro legítimo ao trono) reinasse sozinho de Powys - encerrando de uma vez essa "guerra civil" que já durava décadas...

Para isso, Madog buscou contratar o máximo de Mercenários Cruzados para liderar seus homens...

Rapidamente Lestrade tornou "general" e "braço direito" de Madog; comandando suas tropas com "mãos de ferro". Diferentemente do que era usual; este exército deslocava-se durante a noite; montando acampamentos durante o dia. Esta estratégia relativamente simples confundiu os inimigos (que faziam o exato oposto: deslocavam-se durante o dia e acampavam a noite); permitindo ataques precisos e inesperados. Receberam a alcunha de "Monstros da Noite"...

Em poucos meses, as cabeças de Cadwgan e Iorwerth estavam em estacas; sendo exibidas no Castelo de Maredudd...

A paz e o medo reinavam sobre Powys...

Maredudd era um regente cruel e sanguinário; capaz de atos abomináveis para se manter no poder. E seu sobrinho Madog; após ajudá-lo na reunificação do Reino; rapidamente aprendeu suas táticas de tortura e depravação...

Bem diferente de sua amável e doce esposa (vítima constante de seus ataques sádicos)!

Eric e Amanda estavam cada dia mais próximos...

Francês não suportava ver a bela donzela, extremamente religiosa, sendo torturada daquela forma...

E certa noite, em 1.117, decidiu ajudá-la a escapar daquele inferno! Ele decepou a cabeça de Madog; e ambos fugiram da capital de Powys na calada da madrugada...

Em 1.120Lestrade reencontrou seu mestre Zandt em ParisOtto e mais Sete Cruzados apoiaram a criação da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão em Jerusalém; e partiram pelo mundo, recrutando apenas os melhores dentre os melhores e mais virtuosos!

Eric Lestrade aceitou o convite de seu Mestre... e Amanda Chamberlain também concordou em segui-los até Jerusalém (pela oportunidade única de conhecer a Terra Santa)!

Nenhum comentário:

Postar um comentário