quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Katherine Andersen




Ventrue - 10ª Geração


Cria de Sergei Volosy

Lady Katherine O’Flannagain nasceu em Limerick, pequena vila situada no estuário do Rio Shannon, na região centro-oeste da Irlanda, em 23 de Fevereiro de 1.114. Filha caçula do casal Connor e Ciara O’Flannagain; seus irmãos Killian, Sean e Charles seguiram a carreira militar do pai (todos eles soldados milicianos sob o comando do poderoso e terrível Duque de Munster).

Na verdade, desde a mais tenra idade, Katherine mostrou maior aptidão no manejo de armas do que seus irmãos. E apesar de sua constituição aparentemente frágil e feições delicadas; a jovem ruiva era capaz de realizar com facilidade mesmo as maiores proezas físicas (tais como saltos acrobáticos sobre as mesas da taverna, muros e telhados; além de golpes certeiros nos javalis e alces selvagens – durante as caçadas em família).

Sua mãe Ciara, herdeira de um nobre clã irlandês, detestava os modos rudes e a violência da única filha. Mas seu pai Connor morria de orgulho da pequena guerreira...

Lady Katherine era uma menina apaixonada por aventuras e explorações; que sonhava em desbravar o mundo, participando de torneios e guerras. Por isso, acordava antes do sol nascer e dormia muitas horas após o crepúsculo; treinando com afinco as táticas de esgrima que aprendia com os velhos mestres da vila. Ela é canhota, rápida e habilidosa; além de ser uma excelente amazona. Mas apesar de sua “vocação natural” para o combate, ela também conseguia se sobressair nos estudos – graças à sua mente igualmente rápida e curiosa!

Durante a Ceia de Natal, na noite de 24 de Dezembro de 1.125; a jovem Katherine (então com onze anos) descobriu que sua mãe havia prometido sua mão ao filho do Conde de Cork – e que o casamento aconteceria assim que ela completasse 15 anos...

Ela ficou furiosa com a traição de sua mãe (e a omissão de seu amado pai); e nesta mesma noite, na calada da madrugada, enquanto todos dormiam; Katherine vestiu sua armadura de couro, brandiu sua espada e montou em seu cavalo; galopando veloz pela estrada coberta de neve; em direção ao porto de Galway (aproximadamente 100 km a noroeste de Limerick).

Connor e seus três filhos iniciaram uma busca pela jovem; percorrendo estradas e vilas atrás de informações de seu paradeiro; inclusive oferecendo uma gorda recompensa pela garota (o que atraiu o interesse de mercenários de toda a ilha). Mas a garota já estava bem longe...

Na manhã do dia 26, Katherine embarcou num navio mercante inglês (trocando seu cavalo por uma passagem para Portsmouth – aproximadamente 70 km a sudoeste de Londres). Ela nunca mais veria sua família ou sua terra natal...

Infelizmente, a vida de “aventuras” não era exatamente como Katherine havia imaginado...

Sem dinheiro ou amigos, vivendo num país estranho; não foram poucas as propostas de “ajuda” em troca de favores sexuais – propostas estas rechaçadas violentamente pela jovem!

A fome e o frio fizeram com que a garota praticasse alguns furtos (o que lhe trouxe problemas com a milícia local); mas aos poucos, Katherine aprendeu “como as coisas funcionavam” na região portuária. Vivendo como “mendiga”, vagando pelas ruas de Portsmouth, descobriu muitos segredos e informações relevantes sobre os “figurões” da cidade (tornando-se perita em mentir e em detectar a mentira dos outros). Neste período, ela descartou sua antiga identidade irlandesa; e passou a adotar outro sobrenome: Andersen.

Em uma noite chuvosa de verão no ano de 1.127; a garota cometeu um grave erro...

Não era a primeira vez que Katherine invadia a sacristia da Portsmouth Cathedral (para dormir num lugar seco e, se possível, furtar alguns artefatos de ouro para revendê-los no mercado negro). Só não imaginava encontrar o lendário Cavaleiro Olav Von Oldson (um dos fundadores da Ordo Pauperum Commilitorum Christi Templique Salominici – ou simplesmente Ordem dos Cavaleiros Templários); e seu nobre Conselheiro Michel de St. Rémy; reunidos com Eric Lestrade, Amanda Chamberlain e Otto Van Der Zandt; conspirando contra o Rei Henrique I da Inglaterra...

Os cinco poderosos Cainitas se assustaram com a presença da jovem humana (possivelmente uma espiã do monarca inglês). E obviamente não poderiam assassiná-la dentro da Casa do Senhor. Eles a interrogaram e fizeram ameaças (inclusive usando suas Disciplinas); mas a garota resistiu bravamente – usando sua perícia em mentir; para ganhar tempo até que eles se descuidassem por alguns instantes...

Tempo suficiente para que a menina ruiva fugisse da igreja!

Ela conhecia cada beco escuro da cidade portuária; e mesmo sendo perseguida por experientes Cavaleiros Templários; Katherine conseguiu escapar e se esconder até a manhã seguinte...

Toda a milícia de Portsmouth estava procurando pela jovem de cabelos de fogo; e é claro que ela seria morta na masmorra (ou quem sabe teria um destino ainda pior)! Assim, usando seus contatos no submundo, ela conseguiu embarcar clandestinamente em um navio mercante prestes a zarpar...

Ela nem imaginava para onde eles iriam...

Mas qualquer lugar seria melhor do que permanecer em Portsmouth!

Como havia passado a noite em claro, fugindo da perseguição dos Cainitas; tão logo o navio levantou suas âncoras; a garota caiu num sono profundo – escondida entre as caixas de madeira do porão...

Infelizmente, o terror estava apenas começando...

Ela foi descoberta pela tripulação; que aproveitando o sono pesado da passageira clandestina; amarrou seus braços e pernas. Quando Katherine acordou, havia uma mordaça em sua boca; e ao seu redor, cinco homens enormes e nojentos, de todas as etnias, tão ou mais velhos do que seu pai; excitados com o olhar de pavor e seu esguio corpo jovem em desenvolvimento...

Ela foi abusada durante horas...

Alternando-se sexo selvagem e violência desmedida...

Por vezes chegava a perder a consciência...

Mas ao acordar, outro homem estava deflorando seu corpo...

Seu sangue e suas lágrimas se espalhavam pelo chão do navio, misturado ao esperma e à saliva daqueles monstros covardes...

Dentes, braços, pernas e costelas foram quebradas...

Assim como quebraram seu espírito e sua Força de Vontade...

Impossível dizer quanto tempo durou aquela longa sessão de tortura...

Mas quando ela acabou, a garota mal tinha forças para respirar...

Seus algozes, satisfeitos, decidiram arremessar seu corpo ao mar; para que as águas escondessem o fruto de seu pecado...

Só não contavam com a incrível resistência da jovem irlandesa...

E nem com as fortes correntes marítimas que ajudaram-na a voltar para a costa!

Katherine foi resgatada nua, quase sem vida, por pescadores da vila de Mousehole – próxima à cidade de Penzance (distante aproximadamente 500 km de Londres; no extremo oeste da Ilha da Bretanha). Eles lhe deram um manto, comida e água; além de tratarem seus ferimentos; sem fazer qualquer pergunta à garota – que permanecia calada...

Em terra firme, o Padre Marrow (responsável pela capela local) abrigou-a por alguns dias; mas sugeriu que a garota seguisse para o Mosteiro de St. Austell – onde seria acolhida pelas irmãs do Convento e viveria segura (até abraçar a vocação religiosa ou poder reconstruir sua vida). O pároco conhecia muito bem a Irmã Celeste (sua prima); e escreveu-lhe uma recomendação para que aceitassem a jovem “muda encontrada no mar”.

Ainda em silêncio, Katherine viajou sozinha à “cidade-fortaleza cristã”...

Ficou impressionada com suas imponentes muralhas; e ainda mais quando notou que sua “nova casa” (Mosteiro) tinha as torres mais altas que a garota já tinha visto na vida!

Irmã Celeste recebeu fraternamente a jovem indicada por seu primo (reconhecendo o selo da sua família no pergaminho trazido pela irlandesa); e providenciou suas acomodações num pequeno claustro (três metros quadrados); com uma janela minúscula com vista para a cidade; uma pesada porta de madeira e ferro; uma cama de palha com um crucifixo de madeira na cabeceira; e uma mesa de madeira com uma Bíblia Sagrada traduzida para o latim.

O silêncio no Mosteiro era ensurdecedor...

Rompido três vezes por dia, com o badalar do enorme sino de ouro no alto da torre...

Na vida cinzenta de um mosteiro, que corre sem paixões ou grandes emoções, logo desaparecem todos os sentimentos capazes de enobrecer o caráter...

Katherine entrou no Convento com a firme resolução de vingança...

Para manter sua energia física, ela caminhava regularmente cinco quilômetros por dia, pelos pátios e corredores do Mosteiro; e ao acordar e antes de dormir, fazia exercícios com o auxílio da cadeira de sua escrivaninha. Mais tarde, quando lhe permitiram usar pena e tinta; ela se propôs a ajudar no trabalho das irmãs que traduziam passagens da Bíblia (do latim para o inglês). Mas em ambos os casos, logo sentiu que um grande desânimo tomava conta dela...

Era possível sentir que um toque de depressão física e mental ia, aos poucos, impregnando o rosto e as atitudes da jovem ruiva... tornando-se cada vez mais intenso...

Seu cérebro já não tinha mais forças para manter-se atento por longos períodos. Seu pensamento se tornou menos rápido. Ou melhor: menos persistente...

Katherine perdeu a capacidade de aprofundar-se...

O tempo passava...

Lentamente...

Aparentemente, essa falta de energia e motivação pode ser explicada pela ausência de “impressões”. Na vida comum, milhões de sons e cores atingem nossos sentidos. Milhares de pequenos e variados fatos chegam ao nosso conhecimento, estimulando a atividade cerebral. O mesmo não acontece com as pessoas reclusas. Suas impressões são poucas. E sempre iguais...

Isso explica o entusiasmo de Katherine diante de qualquer fato ou impressão nova! Ela se entusiasmava a cada mudança de cor do sino dourado (rosado ao pôr-do-sol, chegando a formar um tom azulado. Pela manhã as cores variavam – de acordo com o tempo, a hora e as estações do ano) que encimava a fortaleza durante seus passeios pelo pátio. Era a única coisa que mudava ali...

Isto também explica porque a jovem gostava tanto de ilustrações! Elas são capazes de transmitir impressões de uma maneira nova! Todas as impressões que ela recebia (seja através de suas leituras ou de seus próprios pensamentos); são recriadas pela sua imaginação. E o cérebro, já mal alimentado por um coração menos ativo e pelo sangue fraco, torna-se cansado e angustiado. Perde sua força...

Cada vez que ela via os monges e irmãs atravessando lentamente os pátios, seguidos também preguiçosamente por um Abade ou Madre Superiora; sua imaginação sempre lhe transportava de volta à casa de seu pai...

Na bela e distante Irlanda...

Em 14 de Junho de 1.131, a garota (então com 17 anos) finalmente “despertou” deste “longo sono” que durou quase quatro anos!

Ela orava na capela, como fazia todas as noites; quando foi surpreendida pela chegada de uma comitiva de Cavaleiros Templários vindos de Redruth – capitaneada por Olav Von Oldson (um dos homens-demônios que conspiravam contra o Rei Henrique I)! Ele ajoelhou ao lado dela para orar e agradecer pela viagem; e certamente não lhe reconheceu – após tantos anos (e agora escondendo seus cabelos cor-de-fogo por baixo dos pesados mantos religiosos).
Era como se o pesadelo nunca tivesse acabado...

Olav nem se lembrava do “pequeno incidente” em Portsmouth; já que em Janeiro de 1.130, o Rei Henrique I cedeu às pressões do clero e assinou o decreto de doação das terras da Província de Cornwall à Ordem dos Cavaleiros Templários. Na verdade, o que lhe preocupava era a sangrenta “Guerra Vermelha” que havia sido deflagrada em Redruth...

Katherine, obviamente, não sabia disto...

Ela achava que seu “disfarce” havia sido descoberto; e que aqueles homens estavam ali para decepar sua cabeça e garantir que sua conspiração nunca fosse revelada...

Temendo por sua vida, ela voltou para o claustro; separou algumas roupas e provisões; e esperou até que o silêncio da madrugada possibilitasse sua fuga...

Katherine conhecia de olhos fechados os corredores e passagens do Mosteiro; e sorrateiramente seguiu por elas; evitando carregar tochas e fazer qualquer barulho. E de fato, a garota conseguiu chegar até os estábulos...

Onde o relinchar dos cavalos dos Templários alertou os guardas noturnos!

Antes que conseguisse escapar, quatro Cavaleiros Templários a cercaram; empunhando suas espadas e escudos reluzentes; tentando impedir que o “misterioso ladrão” escapasse com seus animais preciosos.

A ruiva, cujo rosto estava escondido pelos mantos negros; só teve tempo de pegar um pedaço de madeira (pouco maior do que um bastão); para tentar se defender...

Ela resistiu com bravura (inclusive nocauteando dois Cavaleiros); antes que fosse derrubada no chão e imobilizada pelos outros dois. Olav Von Oldson não demorou a chegar – acompanhado de outros seis Cavaleiros; e só então puxaram o capuz...

O susto daqueles homens não poderia ter sido maior!

Dois dos melhores Cavaleiros Templários haviam sido derrotados por uma camponesa!

Olav ordenou que ela fosse desamarrada e tratada como uma dama. E pela primeira vez, seus subalternos viram-no sorrindo – encantado pela jovem! Ele pensou que a audaciosa garota fosse apenas uma “ladra de animais”; mas ao invés de entregá-la para a milícia; ofereceu a oportunidade de ingressar na Ordem Templária...

Katherine aceitou a oferta...


E nesta mesma noite, partiu em direção à Redruth, para iniciar seu treinamento...


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