Ventrue - 10ª Geração
Cria de Sergei Volosy
Lady Katherine O’Flannagain
nasceu em Limerick, pequena vila
situada no estuário do Rio Shannon,
na região centro-oeste da Irlanda,
em 23 de Fevereiro de 1.114. Filha caçula
do casal Connor e Ciara O’Flannagain; seus irmãos Killian, Sean e Charles seguiram
a carreira militar do pai (todos eles soldados milicianos sob o comando do
poderoso e terrível Duque de Munster).
Na verdade, desde a mais tenra idade, Katherine mostrou maior aptidão no manejo de armas do que seus
irmãos. E apesar de sua constituição aparentemente frágil e feições delicadas; a
jovem ruiva era capaz de realizar com facilidade mesmo as maiores proezas
físicas (tais como saltos acrobáticos sobre as mesas da taverna, muros e
telhados; além de golpes certeiros nos javalis e alces selvagens – durante as
caçadas em família).
Sua mãe Ciara,
herdeira de um nobre clã irlandês, detestava os modos rudes e a violência da
única filha. Mas seu pai Connor
morria de orgulho da pequena guerreira...
Lady Katherine
era uma menina apaixonada por aventuras e explorações; que sonhava em desbravar
o mundo, participando de torneios e guerras. Por isso, acordava antes do sol
nascer e dormia muitas horas após o crepúsculo; treinando com afinco as táticas
de esgrima que aprendia com os velhos mestres da vila. Ela é canhota, rápida e
habilidosa; além de ser uma excelente amazona. Mas apesar de sua “vocação
natural” para o combate, ela também conseguia se sobressair nos estudos
– graças à sua mente igualmente rápida e curiosa!
Durante a Ceia de Natal,
na noite de 24 de Dezembro de 1.125;
a jovem Katherine (então com onze anos) descobriu que sua mãe havia
prometido sua mão ao filho do Conde de
Cork – e que o casamento aconteceria assim que ela completasse 15 anos...
Ela ficou furiosa com a traição de sua mãe (e a omissão de
seu amado pai); e nesta mesma noite, na calada da madrugada, enquanto todos dormiam;
Katherine vestiu sua armadura de
couro, brandiu sua espada e montou em seu cavalo; galopando veloz pela estrada
coberta de neve; em direção ao porto de Galway
(aproximadamente 100 km a noroeste
de Limerick).
Connor e seus
três filhos iniciaram uma busca pela jovem; percorrendo estradas e vilas atrás
de informações de seu paradeiro; inclusive oferecendo uma gorda recompensa pela
garota (o que atraiu o interesse de mercenários de toda a ilha). Mas a garota
já estava bem longe...
Na manhã do dia 26,
Katherine embarcou num navio
mercante inglês (trocando seu cavalo por uma passagem para Portsmouth – aproximadamente 70
km a sudoeste de Londres). Ela
nunca mais veria sua família ou sua terra natal...
Infelizmente, a vida de “aventuras” não era
exatamente como Katherine havia
imaginado...
Sem dinheiro ou amigos, vivendo num país estranho; não foram
poucas as propostas de “ajuda” em troca de favores sexuais –
propostas estas rechaçadas violentamente pela jovem!
A fome e o frio fizeram com que a garota praticasse alguns
furtos (o que lhe trouxe problemas com a milícia local); mas aos poucos, Katherine aprendeu “como
as coisas funcionavam” na região portuária. Vivendo como “mendiga”,
vagando pelas ruas de Portsmouth,
descobriu muitos segredos e informações relevantes sobre os “figurões”
da cidade (tornando-se perita em mentir e em detectar a mentira dos outros).
Neste período, ela descartou sua antiga identidade irlandesa; e passou a adotar
outro sobrenome: Andersen.
Em uma noite chuvosa de verão no ano de 1.127; a garota cometeu um grave erro...
Não era a primeira vez que Katherine invadia a sacristia da Portsmouth Cathedral (para dormir num lugar seco e, se possível,
furtar alguns artefatos de ouro para revendê-los no mercado negro). Só não
imaginava encontrar o lendário Cavaleiro
Olav Von Oldson (um dos fundadores da Ordo
Pauperum Commilitorum Christi Templique Salominici – ou simplesmente Ordem dos Cavaleiros Templários); e seu
nobre Conselheiro Michel de St. Rémy;
reunidos com Eric Lestrade, Amanda Chamberlain e Otto Van Der Zandt; conspirando contra
o Rei Henrique I da Inglaterra...
Os cinco poderosos Cainitas
se assustaram com a presença da jovem humana (possivelmente uma espiã do
monarca inglês). E obviamente não poderiam assassiná-la dentro da Casa do Senhor. Eles a interrogaram e
fizeram ameaças (inclusive usando suas Disciplinas);
mas a garota resistiu bravamente – usando sua perícia em mentir; para ganhar
tempo até que eles se descuidassem por alguns instantes...
Tempo suficiente para que a menina ruiva fugisse da igreja!
Ela conhecia cada beco escuro da cidade portuária; e mesmo
sendo perseguida por experientes Cavaleiros
Templários; Katherine conseguiu
escapar e se esconder até a manhã seguinte...
Toda a milícia de Portsmouth
estava procurando pela jovem de cabelos de fogo; e é claro que ela seria morta
na masmorra (ou quem sabe teria um destino ainda pior)! Assim, usando seus
contatos no submundo, ela conseguiu embarcar clandestinamente em um navio
mercante prestes a zarpar...
Ela nem imaginava para onde eles iriam...
Mas qualquer lugar seria melhor do que permanecer em Portsmouth!
Como havia passado a noite em claro, fugindo da perseguição
dos Cainitas; tão logo o navio
levantou suas âncoras; a garota caiu num sono profundo – escondida entre as
caixas de madeira do porão...
Infelizmente, o terror estava apenas começando...
Ela foi descoberta pela tripulação; que aproveitando o sono
pesado da passageira clandestina; amarrou seus braços e pernas. Quando Katherine acordou, havia uma mordaça em
sua boca; e ao seu redor, cinco homens enormes e nojentos, de todas as etnias, tão
ou mais velhos do que seu pai; excitados com o olhar de pavor e seu esguio corpo
jovem em desenvolvimento...
Ela foi abusada durante horas...
Alternando-se sexo selvagem e violência desmedida...
Por vezes chegava a perder a consciência...
Mas ao acordar, outro homem estava deflorando seu corpo...
Seu sangue e suas lágrimas se espalhavam pelo chão do navio,
misturado ao esperma e à saliva daqueles monstros covardes...
Dentes, braços, pernas e costelas foram quebradas...
Assim como quebraram seu espírito e sua Força de Vontade...
Impossível dizer quanto tempo durou aquela longa sessão de
tortura...
Mas quando ela acabou, a garota mal tinha forças para
respirar...
Seus algozes, satisfeitos, decidiram arremessar seu corpo ao
mar; para que as águas escondessem o fruto de seu pecado...
Só não contavam com a incrível resistência da jovem
irlandesa...
E nem com as fortes correntes marítimas que ajudaram-na a
voltar para a costa!
Katherine foi
resgatada nua, quase sem vida, por pescadores da vila de Mousehole – próxima à cidade de Penzance (distante aproximadamente 500 km de Londres; no
extremo oeste da Ilha da Bretanha).
Eles lhe deram um manto, comida e água; além de tratarem seus ferimentos; sem
fazer qualquer pergunta à garota – que permanecia calada...
Em terra firme, o Padre
Marrow (responsável pela capela local) abrigou-a por alguns dias; mas
sugeriu que a garota seguisse para o Mosteiro
de St. Austell – onde seria acolhida pelas irmãs do Convento e viveria segura (até abraçar a vocação religiosa ou poder
reconstruir sua vida). O pároco conhecia muito bem a Irmã Celeste (sua prima); e escreveu-lhe uma recomendação para que
aceitassem a jovem “muda encontrada no mar”.
Ainda em silêncio, Katherine
viajou sozinha à “cidade-fortaleza cristã”...
Ficou impressionada com suas imponentes muralhas; e ainda
mais quando notou que sua “nova casa” (Mosteiro) tinha as torres mais altas que a garota já tinha visto na
vida!
Irmã Celeste
recebeu fraternamente a jovem indicada por seu primo (reconhecendo o selo da
sua família no pergaminho trazido pela irlandesa); e providenciou suas acomodações
num pequeno claustro (três metros quadrados); com uma janela minúscula com
vista para a cidade; uma pesada porta de madeira e ferro; uma cama de palha com
um crucifixo de madeira na cabeceira; e uma mesa de madeira com uma Bíblia Sagrada traduzida para o latim.
O silêncio no Mosteiro
era ensurdecedor...
Rompido três vezes por dia, com o badalar do enorme sino de
ouro no alto da torre...
Na vida cinzenta de um mosteiro, que corre sem paixões ou
grandes emoções, logo desaparecem todos os sentimentos capazes de enobrecer o
caráter...
Katherine entrou
no Convento com a firme resolução de
vingança...
Para manter sua energia física, ela caminhava regularmente
cinco quilômetros por dia, pelos pátios e corredores do Mosteiro; e ao acordar e antes de dormir, fazia exercícios com o
auxílio da cadeira de sua escrivaninha. Mais tarde, quando lhe permitiram usar
pena e tinta; ela se propôs a ajudar no trabalho das irmãs que traduziam passagens
da Bíblia (do latim para o inglês).
Mas em ambos os casos, logo sentiu que um grande desânimo tomava conta dela...
Era possível sentir que um toque de depressão física e
mental ia, aos poucos, impregnando o rosto e as atitudes da jovem ruiva...
tornando-se cada vez mais intenso...
Seu cérebro já não tinha mais forças para manter-se atento
por longos períodos. Seu pensamento se tornou menos rápido. Ou melhor: menos
persistente...
Katherine perdeu
a capacidade de aprofundar-se...
O tempo passava...
Lentamente...
Aparentemente, essa falta de energia e motivação pode ser
explicada pela ausência de “impressões”. Na vida comum, milhões
de sons e cores atingem nossos sentidos. Milhares de pequenos e variados fatos
chegam ao nosso conhecimento, estimulando a atividade cerebral. O mesmo não
acontece com as pessoas reclusas. Suas impressões são poucas. E sempre
iguais...
Isso explica o entusiasmo de Katherine diante de qualquer fato ou impressão nova! Ela se
entusiasmava a cada mudança de cor do sino dourado (rosado ao pôr-do-sol, chegando
a formar um tom azulado. Pela manhã as cores variavam – de acordo com o tempo,
a hora e as estações do ano) que encimava a fortaleza durante seus passeios
pelo pátio. Era a única coisa que mudava ali...
Isto também explica porque a jovem gostava tanto de
ilustrações! Elas são capazes de transmitir impressões de uma maneira nova!
Todas as impressões que ela recebia (seja através de suas leituras ou de seus
próprios pensamentos); são recriadas pela sua imaginação. E o cérebro, já mal
alimentado por um coração menos ativo e pelo sangue fraco, torna-se cansado e
angustiado. Perde sua força...
Cada vez que ela via os monges e irmãs atravessando
lentamente os pátios, seguidos também preguiçosamente por um Abade ou Madre Superiora; sua imaginação sempre lhe transportava de volta à
casa de seu pai...
Na bela e distante Irlanda...
Em 14 de Junho de 1.131, a garota (então com 17
anos) finalmente “despertou” deste “longo
sono” que durou quase quatro
anos!
Ela orava na capela, como fazia todas as noites; quando foi
surpreendida pela chegada de uma comitiva de Cavaleiros Templários vindos de Redruth – capitaneada por Olav
Von Oldson (um dos homens-demônios que conspiravam contra o Rei Henrique I)! Ele ajoelhou ao lado
dela para orar e agradecer pela viagem; e certamente não lhe reconheceu – após tantos
anos (e agora escondendo seus cabelos cor-de-fogo por baixo dos pesados mantos
religiosos).
Era como se o pesadelo nunca tivesse acabado...
Olav nem se
lembrava do “pequeno incidente” em Portsmouth;
já que em Janeiro de 1.130, o Rei Henrique I cedeu às pressões do clero e assinou o decreto de
doação das terras da Província de Cornwall à Ordem dos Cavaleiros Templários. Na verdade, o que lhe preocupava
era a sangrenta “Guerra Vermelha”
que havia sido deflagrada em Redruth...
Katherine,
obviamente, não sabia disto...
Ela achava que seu “disfarce” havia sido descoberto; e
que aqueles homens estavam ali para decepar sua cabeça e garantir que sua
conspiração nunca fosse revelada...
Temendo por sua vida, ela voltou para o claustro; separou
algumas roupas e provisões; e esperou até que o silêncio da madrugada
possibilitasse sua fuga...
Katherine
conhecia de olhos fechados os corredores e passagens do Mosteiro; e
sorrateiramente seguiu por elas; evitando carregar tochas e fazer qualquer
barulho. E de fato, a garota conseguiu chegar até os estábulos...
Onde o relinchar dos cavalos dos Templários alertou os guardas noturnos!
Antes que conseguisse escapar, quatro Cavaleiros Templários a cercaram; empunhando suas espadas e
escudos reluzentes; tentando impedir que o “misterioso ladrão” escapasse
com seus animais preciosos.
A ruiva, cujo rosto estava escondido pelos mantos negros; só
teve tempo de pegar um pedaço de madeira (pouco maior do que um bastão); para
tentar se defender...
Ela resistiu com bravura (inclusive nocauteando dois Cavaleiros); antes que fosse
derrubada no chão e imobilizada pelos outros dois. Olav Von Oldson
não demorou a chegar – acompanhado de outros seis Cavaleiros; e só então puxaram o capuz...
O susto daqueles homens não poderia ter sido maior!
Dois dos melhores Cavaleiros
Templários haviam sido derrotados por uma camponesa!
Olav ordenou que
ela fosse desamarrada e tratada como uma dama. E pela primeira vez, seus
subalternos viram-no sorrindo – encantado pela jovem! Ele pensou que a audaciosa
garota fosse apenas uma “ladra de animais”; mas ao invés de
entregá-la para a milícia; ofereceu a oportunidade de ingressar na Ordem Templária...
Katherine aceitou
a oferta...
E nesta mesma noite, partiu em direção à Redruth, para iniciar seu
treinamento...


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